"Quem aqui, como eu, tem a idade de Cristo, quando morreu?"
Confesso que sempre quis poder cantar essa música de boca cheia.
Trinta e três anos, idade de renascimento, redenção... será? Se nem posso mais tocar a balada do amor inabalável, pois hoje sei que o amor, mesmo o mais forte, se abala sim, como qualquer estrutura? "Na confusão do dia a dia, na dor de qualquer coisa", meu último ano foi ambíguo como eu sou, dramático como estou, com ápices de tristeza e felicidade, regados a trilhas sonoras marcantes, começando por "The Gentle Art of Making Enemies" (a gentil arte de fazer inimigos, Faith no More) e atingindo seu momento mais glorioso com "Your Song" (a mais bela canção de amor, seja na versão do Elton John, ou na do Billy Paul).
Mas a música-tema do ano deveria ser "Love Rollercoaster", do Red Hot Chili Peppers: "Tudo é justo no campo da justiça. O amor vem devagar, o amor vai rápido. Montanha Russa do amor - dizer o quê?". E dá-lhe sofrimento.
Nem minha teimosia foi arma, dessa vez. Por isso está resolvido, a trilha sonora do ano vai para "Just a Man", novamente eles, a banda que ensina pelo nome, Faith no More.
Os deuses do rádio ainda me fulminam com músicas que, dentro da minha mente supersticiosa, dizem muito. A grande virada sempre vem quando ligo o som e toca "Lucky Man" do The Verve, e sempre dá alguma merda quando toca "The Day", da obscura banda The The. Mas ao que parece não sou esse "homem de sorte", e o "dia em que minha vida certamente mudará" ainda não chegou.
Como os parcos leitores destes rascunhos sobre a vida podem perceber, os últimos três anos foram muito complicados. A vida nos desafia, as decisões que tomamos se tornam eternas, a difícil convivência humana nos torna frágeis e, por vezes, viver se torna um inferno. A complicada arte de seguir em frente.
No meio do inferno, na pior fase pessoal e profissional - esta última ainda envolvendo família e ideologia -, uma luz. Todos sabem que alio cem porcento da felicidade ao amor. Alguns podem imaginar que sou volúvel, afinal desde os vinte e sete anos foram seis textos, e quatro casos. Todos diferentes, todos com seus motivos e nuances. Mas não há nada que me impeça dizer com todas as letras: o último foi o mais intenso. Sentir o que estou sentindo agora, essa angústia da perda, esse choro incontido e constante, só pode significar que realmente amei de verdade. E sofro, pois ainda amo.
Calejado que estava, fiz tudo diferente. Me dediquei de corpo e alma ao meu IDEAL, essa palavra que definiu o encaixe perfeito, os gostos parecidos, até mesmo as diferenças que nunca foram impeditivas. Esse amor... que começou manso, seguiu lento como deveria e foi descoberto aos poucos, até tomar toda minha alma e enchê-la de felicidade, fé e esperança... acabou. Igual. Se sempre acaba, por quê começar?
Pode parecer ingenuidade, aos trinta e três anos ainda acreditar na utopia da felicidade senão plena, ao menos perene, mas eu sou assim, e justamente nessa idade fica complicado mudar nossa natureza mais enraizada. Sou possivelmente um tolo, adepto do "Filtro Solar" na voz do Pedro Bial, na verdade uma bela peça de propaganda enganosa. Se eu estivesse narrando no lugar dele, e pudesse dar uma só dica para o futuro além do filtro solar, seria essa: não compre passagens aéreas em 10 vezes.
O futuro nunca é certo, apesar da morte. Percebo cada vez de forma mais clara que o correto é viver o hoje, nunca o amanhã... mas... e o sonho?
Eu vivo de sonhar... talvez seja impossível para mim, conseguir pragmatizar assim a vida e seguir tranquilo, apenas contando com as próximas horas, afinal, como diria meu pai, "amanhã eu nem sei se vou estar vivo".
Será? Vou tentar parar de sonhar. Vamos ver se eu consigo.
(Just a Man - Faith no More, 1995)
"O homem nasceu para amar
Embora às vezes procure
Como Ícaro, voar mais alto.
E longe, mais solitário do que deveria
Para beijar o sol de leste a oeste
E erguer o mundo até seu limite
E agüentar o terrível poder
Com o qual só os deuses são abençoados
Mas eu, sou só um homem
E toda noite fecho meus olhos
Então não preciso ver a luz
Brilhando tão clara
Eu sonharei com um céu nublado.
E toda noite fecho meus olhos
Mas agora eu os tenho bem abertos
Você caiu em minhas mãos
E agora está me queimando"
Filtro Solar, Pedro Bial, clique aqui
27 anos
28 anos
29 anos
30 anos
31 anos
32 anos
sexta-feira, junho 03, 2011
quarta-feira, junho 09, 2010
32 anos
Acordei no dia de meu aniversário, por volta das 10hs da manhã (era feriado, ufa!), pois às 11hs iria buscar Manuela para passar o dia comigo.
Olho em meu celular, e vejo a seguinte mensagem, enviada às 02:30 da madrugada:
"Parabens Fernando espero que seus 32 anos sejam mais limpos, você é um porco sinico (sic) e doente, nao merece nada, vai definhar na sua culpa, nunca vai ter paz, nunca vai dormir em paz pois é um merda infeliz que vive uma felicidade falsa criada e superficial e é por isso que esta tao podre por dentro que o cheiro sai da sua boca nojenta ta cada dia mais podre voce pode estar rodeado de gente saindo com mil menininhas mas nunca esteve tao sozinho e pode ter certeza que essa solidao vai te consumir voce é um fracassado que nao sabe ser feliz, Feliz aniversario"
Nem liguei, pois é uma constante na minha vida. Tomei uma ducha, e fui buscar minha baixinha linda, meu motivo de viver.
Chegando lá, enquanto colocava uma roupa linda em minha filha, para passar o dia comigo, vem uma pessoa por trás e me cospe na nuca. Eu ri, pois esse tipo de coisa é uma constante em minha vida. Apenas falei: "que triste isso..."
Saindo de casa, com minha filha no colo, vem uma pessoa e me dá um soco nas costas. Mas como isso é uma constante em minha vida, continuei meu rumo... apenas comentei: "que deprimente.."
Imagine se você está dentro do seu carro, com sua filha na cadeirinha, no banco de trás... de repente alguém vem e joga uma pedra no vidro traseiro!! Foi o que aconteceu.
Assim foram as primeiras horas do meu aniversário. Mas sinceramente, começo a me acostumar... passei os ultimos dois anos assim.. todos os dias.. uns mais, outros menos.. mas a cada dia era esse tipo de coisa que acontecia. Antes, durante e depois.
Acontece que agora, isso são apenas momentos... pílulas... depois disso tudo, passei um dia incrível com minha filha. O sorriso dela, o amor que sentimos um pelo outro, vale qualquer preço. Recebi família, os melhores amigos, muitas energias positivas, muita alegria, mesmo! E é isso que importa.
O resto, não vale a pena.... vai definhar... aliás, já está.
PS.: dois dias depois, chego na minha casa e um quadro que tinha, de estimação, e que pode valer uma boa grana, estava assim:
Olho em meu celular, e vejo a seguinte mensagem, enviada às 02:30 da madrugada:
"Parabens Fernando espero que seus 32 anos sejam mais limpos, você é um porco sinico (sic) e doente, nao merece nada, vai definhar na sua culpa, nunca vai ter paz, nunca vai dormir em paz pois é um merda infeliz que vive uma felicidade falsa criada e superficial e é por isso que esta tao podre por dentro que o cheiro sai da sua boca nojenta ta cada dia mais podre voce pode estar rodeado de gente saindo com mil menininhas mas nunca esteve tao sozinho e pode ter certeza que essa solidao vai te consumir voce é um fracassado que nao sabe ser feliz, Feliz aniversario"
Nem liguei, pois é uma constante na minha vida. Tomei uma ducha, e fui buscar minha baixinha linda, meu motivo de viver.
Chegando lá, enquanto colocava uma roupa linda em minha filha, para passar o dia comigo, vem uma pessoa por trás e me cospe na nuca. Eu ri, pois esse tipo de coisa é uma constante em minha vida. Apenas falei: "que triste isso..."
Saindo de casa, com minha filha no colo, vem uma pessoa e me dá um soco nas costas. Mas como isso é uma constante em minha vida, continuei meu rumo... apenas comentei: "que deprimente.."
Imagine se você está dentro do seu carro, com sua filha na cadeirinha, no banco de trás... de repente alguém vem e joga uma pedra no vidro traseiro!! Foi o que aconteceu.
Assim foram as primeiras horas do meu aniversário. Mas sinceramente, começo a me acostumar... passei os ultimos dois anos assim.. todos os dias.. uns mais, outros menos.. mas a cada dia era esse tipo de coisa que acontecia. Antes, durante e depois.
Acontece que agora, isso são apenas momentos... pílulas... depois disso tudo, passei um dia incrível com minha filha. O sorriso dela, o amor que sentimos um pelo outro, vale qualquer preço. Recebi família, os melhores amigos, muitas energias positivas, muita alegria, mesmo! E é isso que importa.
O resto, não vale a pena.... vai definhar... aliás, já está.
PS.: dois dias depois, chego na minha casa e um quadro que tinha, de estimação, e que pode valer uma boa grana, estava assim:
quinta-feira, junho 04, 2009
31 anos
Um ano passa voando, dizem. E se dizem, é porque deve ser verdade. Se bem que dizem por aí um tanto de bobagens...
Passou voando, ao mesmo tempo que passou lentamente, quase que sofrido. Paradoxal? Claro. Quando um geminiano com ascendente em gêmeos não o é?
Tento explicar. Quando penso que há um ano escrevia aquilo tudo que vocês leram nos meus trinta, chego ao lugar comum: parece que foi ontem. Agora, quando penso no que aconteceu com minha vida desde então, percebo que poderia muito bem ter feito em dez anos, não em um. Mas, como eu sou, jamais deixarei de ser. Intempestivo, inconsequente, impetuoso, intenso, inesperado, mas nem sempre inteligente.
Não estou reclamando, muito menos fazendo autocrítica. Apenas relatando meu jeito, a intensidade com que levo minha vida adiante, sem pensar ou olhar para trás. Meu egoísmo foi ludibriado pela mágica. A mágica se mostrou real, ou seja, não existe mágica, e sim ilusão. Mas uma mágica nada ilusória, grande sonho da minha vida, tornou-se fato: serei pai em breve.
Uma menina linda. A primeira mulher da minha vida, depois de minha mãe, que posso dizer com todas as letras: inquestionável. Beijei, namorei, casei com direito a lua de mel e aliança tatuada no braço, 'engravidei'. Em três meses. Faltam dois para a bela Manuela nascer e trazer luz à minha vida.
Coisas do passado, que surgem mesmo quando nós não olhamos para trás. Destino? Talvez. Não faltaram dificuldades, imagine, fazer em meses o que tantas pessoas planejam durante anos... rápido, rasteiro, tiro certeiro. Nunca subi tão alto, mas também nunca caí e me machuquei como dessa vez. Só que o motivo foi nobre, justo, e cá estou.
A maturidade existe, chega mesmo quando você não a almeja, mas aceitar as mudanças que ela traz pode ser um tanto complicado. A verdade é que tudo vem para somar, para nosso aprendizado, para que, se não pudermos evitar novas quedas, ao menos temos bagagem suficiente para colocar um colchão e nos machucar menos.
Eu teria um tanto de coisas a falar, a explicar, neste ano. Mas hoje nada me vem à cabeça a não ser ela, Manuela. Deixa o resto para depois. Daqui um ano, quem sabe, eu não esteja tão babão e possa contar mais detalhes. Só espero que isso aqui não vire um livro infantil. Porque tenho total inclinação a não ter mais vida própria, e viver a vida dela, Manuela.
Passou voando, ao mesmo tempo que passou lentamente, quase que sofrido. Paradoxal? Claro. Quando um geminiano com ascendente em gêmeos não o é?
Tento explicar. Quando penso que há um ano escrevia aquilo tudo que vocês leram nos meus trinta, chego ao lugar comum: parece que foi ontem. Agora, quando penso no que aconteceu com minha vida desde então, percebo que poderia muito bem ter feito em dez anos, não em um. Mas, como eu sou, jamais deixarei de ser. Intempestivo, inconsequente, impetuoso, intenso, inesperado, mas nem sempre inteligente.
Não estou reclamando, muito menos fazendo autocrítica. Apenas relatando meu jeito, a intensidade com que levo minha vida adiante, sem pensar ou olhar para trás. Meu egoísmo foi ludibriado pela mágica. A mágica se mostrou real, ou seja, não existe mágica, e sim ilusão. Mas uma mágica nada ilusória, grande sonho da minha vida, tornou-se fato: serei pai em breve.
Uma menina linda. A primeira mulher da minha vida, depois de minha mãe, que posso dizer com todas as letras: inquestionável. Beijei, namorei, casei com direito a lua de mel e aliança tatuada no braço, 'engravidei'. Em três meses. Faltam dois para a bela Manuela nascer e trazer luz à minha vida.
Coisas do passado, que surgem mesmo quando nós não olhamos para trás. Destino? Talvez. Não faltaram dificuldades, imagine, fazer em meses o que tantas pessoas planejam durante anos... rápido, rasteiro, tiro certeiro. Nunca subi tão alto, mas também nunca caí e me machuquei como dessa vez. Só que o motivo foi nobre, justo, e cá estou.
A maturidade existe, chega mesmo quando você não a almeja, mas aceitar as mudanças que ela traz pode ser um tanto complicado. A verdade é que tudo vem para somar, para nosso aprendizado, para que, se não pudermos evitar novas quedas, ao menos temos bagagem suficiente para colocar um colchão e nos machucar menos.
Eu teria um tanto de coisas a falar, a explicar, neste ano. Mas hoje nada me vem à cabeça a não ser ela, Manuela. Deixa o resto para depois. Daqui um ano, quem sabe, eu não esteja tão babão e possa contar mais detalhes. Só espero que isso aqui não vire um livro infantil. Porque tenho total inclinação a não ter mais vida própria, e viver a vida dela, Manuela.
quarta-feira, junho 04, 2008
30 anos
Vinha pensando no que escrever. Imaginei que, de agora em diante, passadas as questões mais existenciais, deveria criar uma fórmula para que estes capítulos (já que imagino um livro no final desta jornada) tenham sustentação literária. Grande bobagem. Não pretendo ter uma obra-prima, e sim um relato de minha vida até o final.
Mas por outro lado penso que tudo isso pode acabar parecendo um simples diário juvenil, isso se eu me ater simplesmente a contar o que aconteceu no último ano. Claro que não posso deixar de dizer coisas importantes, como minha separação, a guinada (para melhor) sofrida em minha vida profissional, o início das gravações de meu antigo, porém ainda atual, projeto musical, mas também devo analisá-las e deixar alguma dica, ensinamento, para quem lê. E também conta o fato de que, por definição artística estipulada por mim, estes capítulos de minha vida devem ser escritos no dia de meu aniversário, sem revisões ou lapidações na forma. Ou seja, tenho que escrever tudo, rapidamente, e publicar. Pode ser um ponto negativo para formatar o conjunto todo depois, mas foi o critério que adotei. Senão, ao meu ver, soaria falso. Então é isso, segue assim e seja o que Deus quiser!
Sim, me separei após poucos meses. Tão rápido quanto me casei. Creio que tenha sido este o problema, a pressa de viver. Não vou lembrá-los agora da minha difícil relação com a morte, mas é fato que isso influencia no fato de eu ser um cara apressado. Sim, eu estava cansado. Mas não para dizer que não acreditava mais. Talvez eu volte, um dia eu volto quem sabe.
Outro amigo faleceu, com minha nova idade. Tão fugaz a doença o acometeu, em poucos dias a vida se foi. Penso que, se não vivermos plenamente todos os dias, podemos nos arrepender depois. Isso, claro, se houver o depois. Então resolvi que tudo o que me incomoda e que não quero levar adiante será deixado para trás, ou de lado. Minha vida profissional estava estagnada e não permitia avanços nas áreas que realmente me interessam. Como tudo em minha vida, a sorte ajudou para que mudasse os rumos. Mantenho meu trabalho principal, mas agora tenho outras frentes que me permitem ter tempo, saúde, cabeça, para todo o resto, para o que me emociona.
A saúde... vai bem, para um sedentário fumante de trinta anos. Ou seja, vai bem, mas vai mal e poderia melhorar um tanto. Os problemas do ano passado parecem controlados, e para não ter surpresas eu nem ligo em me submeter a enfiarem um cano com uma pequena câmera pelo rabo a cada ano que passa. Assim meu médico se certifica que não há novos tumores e eu me certifico que não morrerei pelo intestino (ou pela boca?). Mas logicamente este susto foi um fator preponderante para que eu lutasse mais pelos meus ideais de vida.
Me tornei então egoísta. Não me gabo disso, mas é a realidade. E não tenho mais tanta pressa em viver tudo o que pretendo, agora eu espero a mágica da vida aparecer e me mostrar o caminho. Não fico parado, fico é atento às oportunidades que surgem, depois de muito trabalho. Então, se amanhã alguma destas aparecer, vou agarrar. Se for para me casar novamente, com minha amada ex ou com uma nova mulher, que seja de caso pensado e que haja esta mágica tão importante para românticos como eu.
Quanto aos trinta anos? Não sei bem o que dizer. Em princípio, poderia dizer que não muda nada, que é apenas mais uma passagem. Obviamente não acordei hoje diferente, mais responsável do que sou, mais adulto. Mas trata-se de uma efeméride importante, a passagem simbólica, de uma vez por todas, para a vida adulta. Na verdade, é a hora de colher o que plantamos durante a infância, adolescência, juventude. Somos formados, dificilmente mudamos de opinião, temos nosso caráter estabelecido. Ou seja, talvez eu sempre tenha sido um tanto egoísta mesmo... talvez. Mas agora pelo menos admito.
links úteis:
27 anos (aqui)
28 anos (aqui)
29 anos (aqui)
Mas por outro lado penso que tudo isso pode acabar parecendo um simples diário juvenil, isso se eu me ater simplesmente a contar o que aconteceu no último ano. Claro que não posso deixar de dizer coisas importantes, como minha separação, a guinada (para melhor) sofrida em minha vida profissional, o início das gravações de meu antigo, porém ainda atual, projeto musical, mas também devo analisá-las e deixar alguma dica, ensinamento, para quem lê. E também conta o fato de que, por definição artística estipulada por mim, estes capítulos de minha vida devem ser escritos no dia de meu aniversário, sem revisões ou lapidações na forma. Ou seja, tenho que escrever tudo, rapidamente, e publicar. Pode ser um ponto negativo para formatar o conjunto todo depois, mas foi o critério que adotei. Senão, ao meu ver, soaria falso. Então é isso, segue assim e seja o que Deus quiser!
Sim, me separei após poucos meses. Tão rápido quanto me casei. Creio que tenha sido este o problema, a pressa de viver. Não vou lembrá-los agora da minha difícil relação com a morte, mas é fato que isso influencia no fato de eu ser um cara apressado. Sim, eu estava cansado. Mas não para dizer que não acreditava mais. Talvez eu volte, um dia eu volto quem sabe.
Outro amigo faleceu, com minha nova idade. Tão fugaz a doença o acometeu, em poucos dias a vida se foi. Penso que, se não vivermos plenamente todos os dias, podemos nos arrepender depois. Isso, claro, se houver o depois. Então resolvi que tudo o que me incomoda e que não quero levar adiante será deixado para trás, ou de lado. Minha vida profissional estava estagnada e não permitia avanços nas áreas que realmente me interessam. Como tudo em minha vida, a sorte ajudou para que mudasse os rumos. Mantenho meu trabalho principal, mas agora tenho outras frentes que me permitem ter tempo, saúde, cabeça, para todo o resto, para o que me emociona.
A saúde... vai bem, para um sedentário fumante de trinta anos. Ou seja, vai bem, mas vai mal e poderia melhorar um tanto. Os problemas do ano passado parecem controlados, e para não ter surpresas eu nem ligo em me submeter a enfiarem um cano com uma pequena câmera pelo rabo a cada ano que passa. Assim meu médico se certifica que não há novos tumores e eu me certifico que não morrerei pelo intestino (ou pela boca?). Mas logicamente este susto foi um fator preponderante para que eu lutasse mais pelos meus ideais de vida.
Me tornei então egoísta. Não me gabo disso, mas é a realidade. E não tenho mais tanta pressa em viver tudo o que pretendo, agora eu espero a mágica da vida aparecer e me mostrar o caminho. Não fico parado, fico é atento às oportunidades que surgem, depois de muito trabalho. Então, se amanhã alguma destas aparecer, vou agarrar. Se for para me casar novamente, com minha amada ex ou com uma nova mulher, que seja de caso pensado e que haja esta mágica tão importante para românticos como eu.
Quanto aos trinta anos? Não sei bem o que dizer. Em princípio, poderia dizer que não muda nada, que é apenas mais uma passagem. Obviamente não acordei hoje diferente, mais responsável do que sou, mais adulto. Mas trata-se de uma efeméride importante, a passagem simbólica, de uma vez por todas, para a vida adulta. Na verdade, é a hora de colher o que plantamos durante a infância, adolescência, juventude. Somos formados, dificilmente mudamos de opinião, temos nosso caráter estabelecido. Ou seja, talvez eu sempre tenha sido um tanto egoísta mesmo... talvez. Mas agora pelo menos admito.
links úteis:
27 anos (aqui)
28 anos (aqui)
29 anos (aqui)
segunda-feira, junho 04, 2007
29 anos
Há três meses exatos eu estava pensando neste dia. Imaginando o que teria para contar, escrever. Estava livre da morte, por enquanto, livre das confusões mentais, por enquanto, livre para amar e ser amado pela mulher amada, parafraseando minhas próprias poesias. Mudanças? De casa, de estado civil não-oficial, de projeto musical, de rumo profissional, várias. Vontade de mudar mais? Muita. Possibilidade de mudar mais? Remota.
Mas há três meses eu me senti mal. Tive hemorragias e fiquei anêmico. Fiz exames. De repente, uma certeza ruiu. Somos frágeis, falíveis. Descobri um tumor no intestino, um bolo de células que se reproduziam desordenadamente, um caminho para ter um câncer aos trinta e um, trinta e dois anos. Um soco direto no meu queixo. Segundo os médicos e minha consciência, foi um golpe de sorte. Não descoberto o problema a tempo, seria muito pior. Mas foi algo que me fez repensar sobre o tempo que perco em minha curta vida com coisas pequenas, o tempo que gasto trabalhando em coisas que não me dão prazer, o tempo que estou perdendo adiando sonhos e projetos pessoais por medo, preguiça, falta de conversa, inércia, inanição. Pelo menos neste período eu plantei uma árvore.
Sou um poeta médio, um bom escritor, um músico fraco, um bom cantor. São as artes que me dão prazer. É este o mundo ao qual pertenço, mesmo insistindo em fugir do mesmo, fingir que não é comigo, pensar com a cabeça e não com o coração. Eu era um conquistador barato, mas depois de redescobrir o amor passei a nem me dar ao luxo deste prazer mundano. O amor... este me deu grandes alegrias. Mais até do que angústias, embora estas tenham sido uma constante na batalha que travei ao me dar o direito de seguir em frente. Passei por cima de valores, de vontades, do meu cérebro difícil, em prol de uma vida feliz. Feliz, sim.
Todos sabemos que o casamento não é um mar de rosas. Vou parafrasear agora uma música minha, quando disser que ao menos existem as margaridas. Há desavenças, diferenças, mas creio que isso seja o que nos fortalece. Já desisti de muitos amores por menos. Hoje me considero mais apto a persistir, insistir, tentar. Tentar de novo, de novo, de novo, mais uma vez (agora citando Tim Maia). Vale dizer aqui o quanto amo minha mulher, o quanto torço e luto para estar e permanecer com ela pelo resto de minha vida.
Foi um ano em que ganhei e perdi alguns bons amigos. Alguns mostraram ser menos amigos do que imaginava, me decepcionei com gente muito querida na minha vida, mas ao mesmo tempo ganhei outros que imagino que possam permanecer comigo até o fim. Ganhei uma nova família, estreitei meus laços com a minha, ampliando horizontes, sempre. É interessante notar que aqueles amigos de sempre, aqueles que podemos ficar distantes por anos que quando nos encontrarmos seremos exatamente iguais um com o outro, permanecem.
Bem, mas já que a morte me assustou de novo, voltei a pensar nela. E por pura coincidência, ontem mesmo, restando poucas horas para completar estes vinte e nove anos, assisti a um filme em que ela era a personagem principal. Ela mesma, a dama da noite, a fatal, a única certeza que temos na vida. Eu já sabia, mas relembrei, o peso da alma. Quando fui me preparar para dormir, olhei o relógio. Era o primeiro minuto do dia quatro de junho de dois mil e sete. E minha alma, meus vinte e um gramas, ainda estavam lá. Na minha cama, havia outros vinte e um gramas dormindo. Estes quarenta e dois gramas que deverão seguir juntos até que desencarnem e novamente se encontrem em um plano superior.
Agora, sigo com fé aos trinta.
Mas há três meses eu me senti mal. Tive hemorragias e fiquei anêmico. Fiz exames. De repente, uma certeza ruiu. Somos frágeis, falíveis. Descobri um tumor no intestino, um bolo de células que se reproduziam desordenadamente, um caminho para ter um câncer aos trinta e um, trinta e dois anos. Um soco direto no meu queixo. Segundo os médicos e minha consciência, foi um golpe de sorte. Não descoberto o problema a tempo, seria muito pior. Mas foi algo que me fez repensar sobre o tempo que perco em minha curta vida com coisas pequenas, o tempo que gasto trabalhando em coisas que não me dão prazer, o tempo que estou perdendo adiando sonhos e projetos pessoais por medo, preguiça, falta de conversa, inércia, inanição. Pelo menos neste período eu plantei uma árvore.
Sou um poeta médio, um bom escritor, um músico fraco, um bom cantor. São as artes que me dão prazer. É este o mundo ao qual pertenço, mesmo insistindo em fugir do mesmo, fingir que não é comigo, pensar com a cabeça e não com o coração. Eu era um conquistador barato, mas depois de redescobrir o amor passei a nem me dar ao luxo deste prazer mundano. O amor... este me deu grandes alegrias. Mais até do que angústias, embora estas tenham sido uma constante na batalha que travei ao me dar o direito de seguir em frente. Passei por cima de valores, de vontades, do meu cérebro difícil, em prol de uma vida feliz. Feliz, sim.
Todos sabemos que o casamento não é um mar de rosas. Vou parafrasear agora uma música minha, quando disser que ao menos existem as margaridas. Há desavenças, diferenças, mas creio que isso seja o que nos fortalece. Já desisti de muitos amores por menos. Hoje me considero mais apto a persistir, insistir, tentar. Tentar de novo, de novo, de novo, mais uma vez (agora citando Tim Maia). Vale dizer aqui o quanto amo minha mulher, o quanto torço e luto para estar e permanecer com ela pelo resto de minha vida.
Foi um ano em que ganhei e perdi alguns bons amigos. Alguns mostraram ser menos amigos do que imaginava, me decepcionei com gente muito querida na minha vida, mas ao mesmo tempo ganhei outros que imagino que possam permanecer comigo até o fim. Ganhei uma nova família, estreitei meus laços com a minha, ampliando horizontes, sempre. É interessante notar que aqueles amigos de sempre, aqueles que podemos ficar distantes por anos que quando nos encontrarmos seremos exatamente iguais um com o outro, permanecem.
Bem, mas já que a morte me assustou de novo, voltei a pensar nela. E por pura coincidência, ontem mesmo, restando poucas horas para completar estes vinte e nove anos, assisti a um filme em que ela era a personagem principal. Ela mesma, a dama da noite, a fatal, a única certeza que temos na vida. Eu já sabia, mas relembrei, o peso da alma. Quando fui me preparar para dormir, olhei o relógio. Era o primeiro minuto do dia quatro de junho de dois mil e sete. E minha alma, meus vinte e um gramas, ainda estavam lá. Na minha cama, havia outros vinte e um gramas dormindo. Estes quarenta e dois gramas que deverão seguir juntos até que desencarnem e novamente se encontrem em um plano superior.
Agora, sigo com fé aos trinta.
segunda-feira, junho 05, 2006
28 anos
Como podem perceber, não morri aos vinte e sete anos, o que pode ser considerado um alívio. Não que eu pensasse que realmente morreria com esta idade, muito menos que eu desejasse isso para mim. Afinal, quem desejaria? Eu poderia agora continuar, elencar algumas celebridades que faleceram aos vinte e oito, mas esta idade agora não tem o status que têm os vinte e sete no mundo artístico. Em uma pesquisa rápida pode-se encontrar famosos que morreram após completarem vinte e oito, mas incrivelmente não são tantos como os mortos aos vinte e sete. E pode-se perceber também que não eram tão emblemáticos, ou mesmo ícones, no rock e na pop-art.
Por exemplo, o vocalista da banda Blind Melon, uma das famosas bandas-de-uma-só-música, Shannon Hoon, foi encontrado morto com esta idade dentro do ônibus da banda em New Orleans, a cidade dos meus sonhos, por overdose. Deixou uma filha de apenas três meses, o que ainda não tenho. Um ícone do jazz, Bix Beiderbecke, também morreu aos vinte e oito. Perceba que não se comparam aos Jim Morrissons, Jimi Hendrixes, Kurt Cobains e Janis Joplins elencados no texto que deu início a este blog. Sem querer equiparar a vida de cada um de nós, que é importante por si só. Digo isto no sentido do texto dos vinte e sete. Brandon Lee, filho de Bruce Lee, morreu com minha nova idade no set de filmagem de um de seus filmes. Estava prestes a se casar, coisa que também ainda não fiz. E nesta época de pseudo-celebridades, de glamourização do crime, por que não citar a morte de Bemtevi, chefe do tráfico da Rocinha morto há poucos meses aos vinte e oito anos? Porque este texto não se trata de um simples obituário, e não quero misturar as coisas. Além disso, criminosos como ele só passam dos trinta quando têm a sorte de ser presos. E se for começar a contar sobre mortes de pessoas célebres, de sucesso, entro em um campo perigoso. Perigoso como o campo de futebol em que entrou, aos vinte e oito anos, o atacante camaronês Marc-Vivien Foé, do qual saiu morto aos vinte e sete (vejam só!) minutos do segundo tempo de uma partida contra a Colômbia. Sua mulher e filho estavam no estádio e como já disse não tenho esposa nem filhos, ainda.
Não, não vou entrar nessa. Vou usar este espaço para análises e considerações sobre a vida. Chega de morte. Chegou a hora de enaltecer uma característica importante dela. O melhor da morte é esperar por ela, ou seja, viver. E tenho uma vida excepcional. Vou divagar então sobre o quanto e como pode-se mudar os rumos da vida no curto espaço de um ano. Embora eu tenha dito que não poderia fazer nem metade das coisas que ainda não havia feito durante meus vinte e sete, percebo que pude fazer muito, mesmo com o tempo passando cada vez mais rápido. Este é outro fator interessante da vida. Já perceberam que um ano hoje passa muito mais depressa do que quando éramos crianças?
Neste intervalo, algumas certezas caíram por terra, outras se tornaram mais certas. Fatos aconteceram como previsto, outros rumaram para um caminho completamente diferente. A carreira continua um sucesso sem volta. A não ser que eu desista e parta para um outro desafio, uma idéia cada vez mais forte na minha cabeça. Aquele amor arrebatador foi arrebatado por outro ainda mais atordoante. Percebi que aquele era uma fantasia, enquanto o atual é realidade. E como foi bom me dar o direito de mudar. A felicidade pede coragem, e minha coragem me tornou um homem muito mais feliz. Meu projeto musical foi engavetado por outro. Quase sem querer, retomei minha antiga banda e fizemos em poucos meses algo melhor do que fizemos em seis anos na primeira etapa. Sem pretensão, muito menos pressão. Meu livro, por incrível que pareça, cresceu apenas dois capítulos. Mas o início deste blog, também quase sem querer, me fez terminar um outro livro. Este texto fecha o projeto, e dá início a outro. Deixo pronto o livro 'Contos da morte - um sentido para a vida', e passarei a escrever um texto para cada ano de minha vida. Quando morrer, agora espero que aos oitenta e muitos, deixo em testamento que o conjunto deverá ser entregue a alguém que se interesse por publicá-lo.
Em resumo, o ano foi ótimo. Continuo com os mesmos valores de 365 dias atrás. Uma família maravilhosa e amigos para toda a vida, como pude perceber durante as comemorações. Meu novo amor, que seja eterno, me traz a certeza de que meus planos serão concretizados. Tudo lindo, com um único porém. Perdi neste intervalo outro bom amigo e irmão por criação. Primeiramente, há seis anos, perdemos o Fabrício. Agora, no início deste, Murilo. Este texto é para vocês, aonde quer que estejam, ainda nos encontraremos. Me esperem que chego daqui uns sessenta anos para contar as novas. Rumo aos vinte e nove.
Por exemplo, o vocalista da banda Blind Melon, uma das famosas bandas-de-uma-só-música, Shannon Hoon, foi encontrado morto com esta idade dentro do ônibus da banda em New Orleans, a cidade dos meus sonhos, por overdose. Deixou uma filha de apenas três meses, o que ainda não tenho. Um ícone do jazz, Bix Beiderbecke, também morreu aos vinte e oito. Perceba que não se comparam aos Jim Morrissons, Jimi Hendrixes, Kurt Cobains e Janis Joplins elencados no texto que deu início a este blog. Sem querer equiparar a vida de cada um de nós, que é importante por si só. Digo isto no sentido do texto dos vinte e sete. Brandon Lee, filho de Bruce Lee, morreu com minha nova idade no set de filmagem de um de seus filmes. Estava prestes a se casar, coisa que também ainda não fiz. E nesta época de pseudo-celebridades, de glamourização do crime, por que não citar a morte de Bemtevi, chefe do tráfico da Rocinha morto há poucos meses aos vinte e oito anos? Porque este texto não se trata de um simples obituário, e não quero misturar as coisas. Além disso, criminosos como ele só passam dos trinta quando têm a sorte de ser presos. E se for começar a contar sobre mortes de pessoas célebres, de sucesso, entro em um campo perigoso. Perigoso como o campo de futebol em que entrou, aos vinte e oito anos, o atacante camaronês Marc-Vivien Foé, do qual saiu morto aos vinte e sete (vejam só!) minutos do segundo tempo de uma partida contra a Colômbia. Sua mulher e filho estavam no estádio e como já disse não tenho esposa nem filhos, ainda.
Não, não vou entrar nessa. Vou usar este espaço para análises e considerações sobre a vida. Chega de morte. Chegou a hora de enaltecer uma característica importante dela. O melhor da morte é esperar por ela, ou seja, viver. E tenho uma vida excepcional. Vou divagar então sobre o quanto e como pode-se mudar os rumos da vida no curto espaço de um ano. Embora eu tenha dito que não poderia fazer nem metade das coisas que ainda não havia feito durante meus vinte e sete, percebo que pude fazer muito, mesmo com o tempo passando cada vez mais rápido. Este é outro fator interessante da vida. Já perceberam que um ano hoje passa muito mais depressa do que quando éramos crianças?
Neste intervalo, algumas certezas caíram por terra, outras se tornaram mais certas. Fatos aconteceram como previsto, outros rumaram para um caminho completamente diferente. A carreira continua um sucesso sem volta. A não ser que eu desista e parta para um outro desafio, uma idéia cada vez mais forte na minha cabeça. Aquele amor arrebatador foi arrebatado por outro ainda mais atordoante. Percebi que aquele era uma fantasia, enquanto o atual é realidade. E como foi bom me dar o direito de mudar. A felicidade pede coragem, e minha coragem me tornou um homem muito mais feliz. Meu projeto musical foi engavetado por outro. Quase sem querer, retomei minha antiga banda e fizemos em poucos meses algo melhor do que fizemos em seis anos na primeira etapa. Sem pretensão, muito menos pressão. Meu livro, por incrível que pareça, cresceu apenas dois capítulos. Mas o início deste blog, também quase sem querer, me fez terminar um outro livro. Este texto fecha o projeto, e dá início a outro. Deixo pronto o livro 'Contos da morte - um sentido para a vida', e passarei a escrever um texto para cada ano de minha vida. Quando morrer, agora espero que aos oitenta e muitos, deixo em testamento que o conjunto deverá ser entregue a alguém que se interesse por publicá-lo.
Em resumo, o ano foi ótimo. Continuo com os mesmos valores de 365 dias atrás. Uma família maravilhosa e amigos para toda a vida, como pude perceber durante as comemorações. Meu novo amor, que seja eterno, me traz a certeza de que meus planos serão concretizados. Tudo lindo, com um único porém. Perdi neste intervalo outro bom amigo e irmão por criação. Primeiramente, há seis anos, perdemos o Fabrício. Agora, no início deste, Murilo. Este texto é para vocês, aonde quer que estejam, ainda nos encontraremos. Me esperem que chego daqui uns sessenta anos para contar as novas. Rumo aos vinte e nove.
sexta-feira, junho 03, 2005
27 anos
Não queria morrer aos vinte e sete anos. Se eu ainda tivesse cumprido com meu principal objetivo desde os quinze, ainda poderia aceitar. Mas não sou o músico respeitado que gostaria e poderia ter sido, não fosse esta uma carreira que requer muito mais esforço do que realmente fiz e muito mais sorte do que tive (tenho muita sorte no jogo e no amor, mas não foram transmitidas para minha carreira profissional.. nesta eu me esforço mesmo). Se eu tivesse atingido este objetivo, eu poderia pelo menos morrer aos vinte e sete, pois uma boa parte de meus maiores ídolos na música morreram ou se fizeram morrer com esta idade. É como um carma. Eu morreria feliz.
Acho que esta história de morrer aos vinte e sete começou com o impressionante Robert Johnson. Um músico do Mississipi que surgiu do nada, reinventando o blues com harmonias complexas e novos acordes. Segundo a lenda, Johnson teria feito um acordo faustiano com o Diabo, dando-lhe sua alma em troca de um talento musical "diabólico", com o qual poderia expressar seu sofrimento por ser negro, pobre e caipira no início do século XX. O mito foi corroborado pelo próprio músico, que relatou em muitas de suas músicas seu encontro com o tinhoso. Uma de suas canções, crossroads, ou encruzilhada, tornou-se tema de um filme baseado na lenda Robert Johnson. Sim, ele faleceu com esta idade, possivelmente envenenado por um marido ciumento.
Este número de anos é desde então considerado o limite máximo de sobrevivência de músicos ou artistas de grande repercussão, que supostamente seriam "coisas do demo". Noel Rosa morreu aos vinte e sete, assim como Jimi Hendrix, Janis Joplin, Jim Morrison e Kurt Cobain. Estes quatro últimos, nossa, são meus grandes ídolos. Mas morrer com a mesma idade deles não me faria um cara tão excelente quanto. Por isso prefiro viver bastante, nessa vidinha maravilhosa que Deus me deu.
Outros artistas morreram com a idade indesejada, mas não são para mim tão importantes. Basquiat, Brian Jones... o mais interessante é que nem todos se mataram, ou morreram por consequência de overdoses. Leila Diniz, por exemplo, faleceu em um acidente aéreo. Inclusive, estava escrevendo anotações em seu diário na hora da fatalidade: "está acontecendo alguma coisa muito es....". Brian Jones, guitarrista dos Rolling Stones, afogou-se na piscina de sua casa. Hendrix morreu sufocado pelo próprio vômito. Cobain deu um tiro na cabeça, possivelmente devido a alguma alucinação de sua mente doentia, destruída pela heroína. A droga, aliás, é causa de muitas outras mortes aos vinte e sete, como as de Basquiat e Morrison, que apesar de a causa oficial ser um ataque cardíaco, teria supostamente inalado heroína pensando tratar-se de cocaína.
Uma música de Johnson, chamada "They're red hot', foi inspiração para o nome de outra banda que admiro muito. Os Red Hot Chili Peppers, que tinham inicialmente um guitarrista chamado Hillel Slovak. A canção foi regravada em homenagem à morte dele, porém ele 'errou' os cálculos. Faleceu aos vinte e seis. Heroína.
Até mesmo a suposta morte de Paul McCartney teria sido aos vinte e sete. O boato diz que o baxista, letrista e vocalista dos Beatles teria morrido em um acidente, e que fora rapidamente substituído por um sósia. Lennon, inconformado, teria criado provas de que Paul estaria morto. Há um disco que, se rodado ao contrário, ouve-se a frase "Paul is dead". Capas de discos também teriam sido utilizadas para provar a fraude, como a do famoso Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band, onde as flores em forma de contrabaixo seriam uma dica. Em Abbey Road, os quatro músicos atravessam uma rua em fila, como num funeral. Paul é o único descalço, que caminha com os pés trocados. Há um carro fúnebre estacionado de um lado da rua, e do outro, um fusca (Beatle) branco tem a placa "28 IF, que traduzido significa "vinte e oito se". Ou seja, Paul, que morreu aos vinte e sete, teria vinte e oito na época do lançamento do álbum.
Por mais mórbido que possa parecer este texto, para mim apenas significa que realmente não quero morrer nos próximos 365 dias. Nem nos próximos 50 anos. Tenho uma família especial, um pai que é um ídolo, uma mãe que é uma santa, um irmão que é com certeza meu melhor amigo, e duas irmãs que completam maravilhosamente o grupo. Tenho Maria, um amor arrebatador, pelo qual cometo qualquer tipo de loucura. E tenho a mim, um cara que gosto muito, embora tenha minhas críticas. Uma carreira brilhante a seguir, um futuro promissor ao lado destes e de todas as pessoas a quem considero muito. Não vou citá-las aqui, este texto é breve, não um épico. Ah, tenho também o meu romance, empacado no quarto capítulo há meses! E meu novo projeto musical, pronto e esperando para ser gravado.
Tenho muito a fazer ainda, receio não conseguir dentro do curto prazo de um ano. Ainda não tive um filho, nem plantei uma árvore, e como disse estou longe de terminar meu livro. Mas este fica como documento. Imagina se eu realmente morrer? Ia ser uma coincidência e tanto, não acham?
Acho que esta história de morrer aos vinte e sete começou com o impressionante Robert Johnson. Um músico do Mississipi que surgiu do nada, reinventando o blues com harmonias complexas e novos acordes. Segundo a lenda, Johnson teria feito um acordo faustiano com o Diabo, dando-lhe sua alma em troca de um talento musical "diabólico", com o qual poderia expressar seu sofrimento por ser negro, pobre e caipira no início do século XX. O mito foi corroborado pelo próprio músico, que relatou em muitas de suas músicas seu encontro com o tinhoso. Uma de suas canções, crossroads, ou encruzilhada, tornou-se tema de um filme baseado na lenda Robert Johnson. Sim, ele faleceu com esta idade, possivelmente envenenado por um marido ciumento.
Este número de anos é desde então considerado o limite máximo de sobrevivência de músicos ou artistas de grande repercussão, que supostamente seriam "coisas do demo". Noel Rosa morreu aos vinte e sete, assim como Jimi Hendrix, Janis Joplin, Jim Morrison e Kurt Cobain. Estes quatro últimos, nossa, são meus grandes ídolos. Mas morrer com a mesma idade deles não me faria um cara tão excelente quanto. Por isso prefiro viver bastante, nessa vidinha maravilhosa que Deus me deu.
Outros artistas morreram com a idade indesejada, mas não são para mim tão importantes. Basquiat, Brian Jones... o mais interessante é que nem todos se mataram, ou morreram por consequência de overdoses. Leila Diniz, por exemplo, faleceu em um acidente aéreo. Inclusive, estava escrevendo anotações em seu diário na hora da fatalidade: "está acontecendo alguma coisa muito es....". Brian Jones, guitarrista dos Rolling Stones, afogou-se na piscina de sua casa. Hendrix morreu sufocado pelo próprio vômito. Cobain deu um tiro na cabeça, possivelmente devido a alguma alucinação de sua mente doentia, destruída pela heroína. A droga, aliás, é causa de muitas outras mortes aos vinte e sete, como as de Basquiat e Morrison, que apesar de a causa oficial ser um ataque cardíaco, teria supostamente inalado heroína pensando tratar-se de cocaína.
Uma música de Johnson, chamada "They're red hot', foi inspiração para o nome de outra banda que admiro muito. Os Red Hot Chili Peppers, que tinham inicialmente um guitarrista chamado Hillel Slovak. A canção foi regravada em homenagem à morte dele, porém ele 'errou' os cálculos. Faleceu aos vinte e seis. Heroína.
Até mesmo a suposta morte de Paul McCartney teria sido aos vinte e sete. O boato diz que o baxista, letrista e vocalista dos Beatles teria morrido em um acidente, e que fora rapidamente substituído por um sósia. Lennon, inconformado, teria criado provas de que Paul estaria morto. Há um disco que, se rodado ao contrário, ouve-se a frase "Paul is dead". Capas de discos também teriam sido utilizadas para provar a fraude, como a do famoso Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band, onde as flores em forma de contrabaixo seriam uma dica. Em Abbey Road, os quatro músicos atravessam uma rua em fila, como num funeral. Paul é o único descalço, que caminha com os pés trocados. Há um carro fúnebre estacionado de um lado da rua, e do outro, um fusca (Beatle) branco tem a placa "28 IF, que traduzido significa "vinte e oito se". Ou seja, Paul, que morreu aos vinte e sete, teria vinte e oito na época do lançamento do álbum.
Por mais mórbido que possa parecer este texto, para mim apenas significa que realmente não quero morrer nos próximos 365 dias. Nem nos próximos 50 anos. Tenho uma família especial, um pai que é um ídolo, uma mãe que é uma santa, um irmão que é com certeza meu melhor amigo, e duas irmãs que completam maravilhosamente o grupo. Tenho Maria, um amor arrebatador, pelo qual cometo qualquer tipo de loucura. E tenho a mim, um cara que gosto muito, embora tenha minhas críticas. Uma carreira brilhante a seguir, um futuro promissor ao lado destes e de todas as pessoas a quem considero muito. Não vou citá-las aqui, este texto é breve, não um épico. Ah, tenho também o meu romance, empacado no quarto capítulo há meses! E meu novo projeto musical, pronto e esperando para ser gravado.
Tenho muito a fazer ainda, receio não conseguir dentro do curto prazo de um ano. Ainda não tive um filho, nem plantei uma árvore, e como disse estou longe de terminar meu livro. Mas este fica como documento. Imagina se eu realmente morrer? Ia ser uma coincidência e tanto, não acham?
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